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sábado, 21 de agosto de 2010

Capítulo 7

-Humanos, bruxos, vampiros e todos os seres existentes na terra moravam juntos em harmonia,sabendo-se da existência de cada ser. Em torno de novecentos anos atrás, bruxos e vampiros resolveram criar um mundo só deles. Onde nada os afetaria, e nenhuma outra espécie de ser poderia entrar ou sair sem permissão. Era um mundo protegido por encantos, e a paz reinava, até que alguns vampiros quebraram o acordo de não sair do nosso mundo para beber sangue humano, pois tínhamos enormes criações de bois, ovelhas, cavalos, e alguns outros animais, que serviam de 'comida' para eles. Então os bruxos mataram os vampiros que tinham quebrado o acordo, e os outros vampiros se revoltaram contra os bruxos. Então quase tivemos uma guerra, mas resolvemos que matá-los não resolveria o problema. Então deixamos o mundo escondido para eles e voltamos a morar com os humanos.
Estava dando tudo certo, sem vampiros, e sem os humanos saberem que éramos bruxos,até que, em torno de quatrocentos anos atrás, começou a conhecia caça-as-bruxas.
Nenhuma das pessoas queimadas naquelas fogueiras eram, de fato, bruxas. Muitas se diziam bruxas, muitas tinha descendência bruxa mas não tinha recebido a intimação de assumir os dons, e outras só tinham comportamento duvidoso e anti social. 
Nós tivemos medo de que isso não acabasse e, mesmo com poderes e habilidades, não seriamos suficientes para vencer se essa guerra de 'humanos e bruxas' se espalhasse por todo o mundo. Então resolvemos tomar nosso mundo de volta, dessa vez, sem os vampiros. Como sabíamos os encantamentos do mundo, entramos sem os vampiros saberem e começamos a matá-los com facilidade enquanto pegávamos eles sozinhos. Algumas bruxas e bruxo haviam ficado no mundo escondido pois haviam se casado com vampiros. Eles tinham proteção deles, então ninguém os faria mal, nem a seus filhos. Os 'misturados' e os bruxos que tinham ficado nós poupamos. E os vampiros foram aniquilados. Tínhamos nosso mundo de volta. Quem tinha perdido alguém de sua família se revoltou contra o governo e seus filhos misturados foram incentivados a atacar os bruxos e os sugar até a morte. Uma grande rebelião de misturados começou. Então todos os bruxos que se envolveram com vampiros e os misturados foram expulsos desse mundo. Depois disso as únicas criaturas novas que aparecerem por aqui foram os mestiços. Que são meio humano, meio bruxo. Nunca soubemos de nenhum caso de filhos entre vampiros e humanos, por isso não tem um nome específico. Os mestiços nunca nos deram problemas, pois seu instinto de humano é menos presente que seu instinto bruxo. Diferente de quem tem instinto de vampiro, que é mais forte que o bruxo. Por isso dizemos que vampiros são animais. Pois respondem a quase tudo com instinto, e são quase incontroláveis quando agem dessa maneira.
Os bruxos mestiços são, grande parte das vezes, mais talentosos do que os bruxos puros. O que iguala a diferença entre eles.
Á dois tipos de mestiços: Os mestiços presentes, que tem um pai humano e uma mãe bruxa, ou vice e versa. E os mestiços esquecidos, que tem sangue bruxo de gerações anteriores. Esses são muito difíceis de achar, e até hoje não nos interessamos neles. Até aparecer você. Isso acontece porque nem todos os bruxos recebem o Convite Roxo, que é um convite enviado aos bruxos escolhidos para se tornarem grandes bruxos. Todos os bruxos fazem o, como vocês chamam, ensino fundamental de bruxaria e o humano, tudo nesse mundo. Mas só os escolhidos recebem o Convite Roxo, que é como se fosse a aprovação em alguma faculdade, só que ainda no ensino médio. Alguns bruxos que não o recebem, vão para o mundo humano e fazem seus estudos lá. E não há nada de errado nisso. A maioria dos que vão pra lá, acabam se casando com humanos e tendo filhos, formando os mestiços diretos. O bruxo, pai da criança, tem a escolha de que seu filho faça o ensino fundamental aqui, ou lá. Mas, fazendo ou não, a criança pode receber o Convite Roxo. Quando a criança não o recebe e volta para o mundo humano e tem um filho com um humano, esse filho será o mestiço esquecido. Raramente um mestiço esquecido recebe um Convite Roxo, pois a maioria nem sequer sabe da existência das bruxas de verdade. Só casos muito especiais recebem-o.
Você Katheryne Rathbone. Trigésima sétima geração de Robert Rathbone, que recebeu o Convite Roxo mais o renegou e mudou-se para o mundo humano, por alguma razão ainda não descoberta, recebe hoje o Convite Roxo. E tem a opção de se tornar uma grande bruxa ou não.
Esse estava sendo o sonho mais bizarro de toda a minha vida! Eu não parava de pensar como minha mente era fértil por ter imaginado toda aquela história sobre bruxos e vampiros.
Enquanto Herick falava a última parte do seu discurso ele se levantava. Ele fez sinal com a mão para que eu o seguisse. Assim fiz. Ele me levou até a porta, me deu um beijo na testa e disse:
-Nos veremos logo Katheryne. Espero que decida se juntar a nós.
Percebi que Ronny, o homem loiro, estava me esperando do lado de fora da porta.
-Ah e, prometa não fugir pelas ruas que não precisará de outra camada protetora. - disse Herick com um sorriso divertido no rosto.
-Sim senhor. - respondi timidamente.
Quando entramos no corredor escuro, antes do elevador, parei de escutar os passos de Ronny. Então percebi que meus olhos estavam fechado. E quando os abri...
Meu quarto.

Capitulo 6

 Então a minha mãe parou o carro na frente do meu colégio, eu tinha achado muito estranho já que o mordomo que costumava me buscar, assim que eu entrei no carro, ela trancou as portas...
-Por que veio me buscar?
-Rachel, estamos indo para a nossa casa em Orlhean.
 Orlhean, era uma cidade chata, onde eu não tinha amigos, nem tecnologia, nem nada, os únicos que ficavam felizes, naquela casa, eram os meus pais.
-Não mãe, eu não vou! Nem que eu salte do carro.
Eu peguei e destranquei a porta e a abri...
-Pode saltar, mas ai eu cancelo a dança!
Ela sabia que a coisa que eu mais amava era a dança, mas naquele momento eu estava com muita raiva dela, dela querer me levar para Orlhean, sem pedir a minha opinião, quando eu ia pular, ela aumentou demais a velocidade.
-Pensei que ia pular Rachel!
-Eu te odeio.
Então ela parou o carro, e sua expressão era de uma raiva tão intensa que qualquer coisa que eu falasse, eu achava que ela seria capaz de me matar.Então ela desceu do carro, jogou a minha mochila, onde o mordomo tinha posto as minhas coisas, na calçada, abriu a porta da onde eu estava sentada, e me puxou para a calçada, me deu um chute na perna e me jogou no chão. 
-Pronto Rachel, agora pode voltar pra casa sozinha.
Minha casa estava muito longe dali, não que ela ligasse, então ela pegou o carro e foi embora.Enquanto eu ? Bem, peguei a mochila e fui andando em direção a minha casa, quinze quadras depois o joelho que ela chutou fraquejou e eu cai.E alguma coisa aconteceu com o meu pé, pois eu não conseguia mais me levantar, então eu comecei a chorar de tanta dor.E então ele veio correndo em minha direção...
-Ei, você está bem?
-Estou!
Como eu era totalmente teimosa, nem olhei para ele, e tentei levantar novamente.Infelizmente falhei de novo e cai, e ele deu uma risada e disse:
-Eu estou vendo como você está bem, agora deixa de ser teimosa e deixa eu te ajudar?!
Então ele se abaixou e colocou a minha mochila nas costas, e me pegou no colo, eu simplesmente deixei, não estava em condições de recusar ajuda, então cheguei na casa dele, era linda, tudo era muito acolhedor, então ele me deixou no sofá.
-Pode me soltar agora...
E ele me deu um sorriso muito fofo e ao mesmo tempo muito pervertido.
-Anh, desculpe...
A verdade é que eu não queria me soltar dele, pois enquanto ele me trazia, eu pude perceber o quanto ele era forte e sem contar do perfume que ele emanava, aquele cheiro me fascinava! Mas então eu o soltei.
-Vou pegar, umas coisas pra cuidar de você, fique ai, que eu já volto.
Assim que ele saiu, eu comecei a pensar: Rachel o que você está fazendo ai? Você está na casa de um estranho,o pior é que eu nem reparei como ele era .
-Voltei, e prometo que não vai doer muito, e bem... Se sentir muita dor, eu te dou a minha mão pra apertar, tá?
Ele deu outro sorriso, só que diferente de antes eu percebi como ele era lindo, o menino tinha olhos azuis, cabelos negros, mas o penteado era diferente de todos que eu já havia visto. Ele era alto,forte e pelo o que parecia ele deveria ser uns dois anos mais velho que eu, e quando ele sorria, eu não sabia por que, ,mais o meu coração disparava...
-No que está pensando?
Senti o meu rosto corar..
-Ah, e..Em..Nada!
Ele começou a rir
-Você fica muito fofa com vergonha.
Ah, esse era um outro problema, eu mentia muito mal, quando estava despreparada...
E então com um lindo sorriso ele disse:
Ah, me chamo Ryan.
E então eu acordei sorrindo, procurando-o, mais infelizmente eu apenas sonhei com o dia que tinha o conhecido. E a onda de tristeza foi tão grande que eu não pude conter uma lágrima, então Lorenn acordou...
-Rachel?
Me contive para usar a voz mais firme que eu conseguiria...
-Sim, Lorenn?
-Você lembra que os mortos às vezes podem entrar nos sonhos, melhor dizendo nos meus sonhos?
Então, eu me levantei e fui sentar ao lado dela...
-Sim Lorenn, mais de uns anos pra cá não tinha parado?
-É mais parece que voltou ...E bem...
-O que foi ?
-Bem, não tem como não te contar, pois eu jurei...
-O que Lorenn?
-Ryan...
Ao ouvir aquele nome, o meu coração parou...
-O Meu Ryan?
Quando terminei a frase, me segurei pra não cair em lágrimas.
-É, eu não entendi direito, mas ele disse pra você parar de se culpar, foi uma escolha dele, ele prometeu te proteger e cuidar de você, e foi isso que ele fez! Ah, ele disse que no armarinho da casa dele, tem uma carta que ele estava escrevendo pra você, ele pediu também para que você prometa que não irá ficar perto de rosas e se ficar, tome cuidado pra não se cortar.Ele também disse que te ama, e que o coração dele a pertence,desde o dia que te conheceu e até mesmo depois de ter parado de bater, e que o seu coração deveria ser livre de novo, para que você possa, dançar, sorrir e cantar mal no meio da rua, e para que quando você tropece você tenha quem a segure. Pois só a sua felicidade completa o fará se sentir vivo, uma ultima vez, por mais que isso seja impossível.
-Ah Ryan, eu te amo tanto...
E então comecei a chorar histericamente e Lorenn me abraçou. 

Capítulo 5

De repente eu comecei a ouvir zunidos longe, e sentir uma leve brisa batendo em meu rosto como se eu estivesse andando em uma noite com bastante névoa. Os zunidos agora eram vozes descontraídas.
Então abri meus olhos, e me surpreendi ao ver que realmente estava andando. A claridade batendo nas ruas de pedra, como as ruas de antigamente, ou de cidades bem pequenas, fez meus olhos arderem. Claridade de mais sempre me incomodou.
Olhei em volta e percebi que aqueles homens do meu quarto estavam me levando a algum lugar. Perguntei o que estava acontecendo ainda meio grog de sono. Ninguém respondeu.
Eles estavam com o capuz abaixado agora, me permitindo ver seus rostos. Tinham dois muito parecidos, embora acredito que não sejam irmãos, talvez primos. Eles tem a pele moreno claro, cabelos e olhos castanho escuros. Outro era loiro de olho castanho esverdeado. Acho que era o mais novo. E um outro era negro com um olho azul e o outro estava tampado. Ele parecia ser o líder do grupo, que pelas roupas e cortes de cabelo iguais, parecia até uma ceita. Todos tinham o cabelo bem rente a cabeça, um pouco mais curto os tornaria careca. E além do comprimento ser o mesmo, tinha uma mecha de cada lado da cabeça que havia sido totalmente raspada.
Todos caminhavam sérios em minha volta. Os dois parecidos estavam um de cada lado meu, o negro indo a frente, e o loiro atrás. Como se estivessem tentando me impedir caso eu quisesse correr.
Quando me lembrei, como se fosse um filme passando em frente de meus olhos, o que eu tinha vivido na noite passada, entrei em desespero e comecei a pensar como fugir daqueles homens. Olhei em volta, pra ver se conhecia o lugar onde estávamos ou se conhecia alguém.
Foi aí que percebi.
Era tudo um sonho.
Aqueles homens no meu quarto, aquelas faces sérias. Aquela rua de pedra.
Cheguei a essa conclusão observando as pessoas.
Era como se eu estivesse em um filme de bruxaria. Todos vestiam roupas escuras, as construções pareciam ter quinhentos anos, as crianças brincavam com varinha que soltavam faíscas, e suas mães com vestidos longos diziam que elas iam acabar deixando alguém com rabo de rato ou nariz de porco.
Quando percebi que era um sonho e que todo aquele pânico não passava do reflexo de dois meses brincando de bruxa com meu irmão e do susto de ontem a noite com John no parque.
Comecei a rir e tentei correr pra ver o que aconteceria. Me deparei com uma parede invisível, tentei tocar em um dos homens que me levavam a algum lugar mas eles estavam fora da parece que me protegia. Mesmo sendo um sonho me senti claustrofóbica e comecei a gritar e bater nas paredes. Meu medo era tão real que nem parecia que eu estava em um sonho. Eles pareciam nem estar me ouvindo, pois em uma virada de olho recebi. Enquanto eu parei para entrar em desespero, eles também pararam. Me lembrei de novo que era um sonho, então deixei que eles me levassem pro tal destino misterioso.
Assim como na noite em que quis passar duas semanas dormindo, eu podia sentir algo diferente no ar, podia sentir a magia.
Quando eu já estava começando a ficar cansada, mesmo nem sabendo que isso era possível em sonhos, paramos em frente um prédio cinza, com portões grandes escrito em mármore:
"CARTÓRIO DE REGISTRO PARA NOVOS BRUXOS"
Aquela cidadezinha bruxa parecia cada vez mais encantada, e ao mesmo tempo, cada vez mais real.
Enquanto entrávamos eu me perguntava onde estavam os outros dois homens que estavam com estes no meu quarto. Não tinha como saber. Todos que, pelo visto, trabalhavam no prédio se vestiam assim.
Andamos por um grande corredor com portas em todos os lados. E fomos até o elevador, no final do corredor. Descemos cinco andares do térreo e nos deparamos com um corredor escuro e silencioso. Lá não tinham muitas portas. Era frio, e nem lâmpadas para estarem apagadas não tinha. Eu senti arrepios. Mas disse pra mim mesma:
"É só um sonho! Nada de ruim pode te acontecer Katheryne! Nada de mal vai te acontecer!"
Entramos por uma porta, que eu só soube que existia por causa do rangido que fez quando abriu. Então pude ver que haviam algumas portas em volta de nós, e que estávamos em um, praticamente hall, redondo. Havia luz saindo por baixo das portas. Fomos até uma das portas, e o homem negro bateu duas vezes de leve.
-Olá Sr. Caius. Vejo que a trouxe em segurança. - Disse um homem que saiu da sala fechando rapidamente a porta atrás dele. Ele era mais da minha altura. Muito menor que o negro. Mas mostrava que era superior e o negro, digo, Sr Caius, respeitava-o e obedecia-o. Ele tinha o mesmo corte que os outros. Seus olhos pareciam cinzas com a pouca luz que tínhamos vinda das portas ao redor.
-Ela já acordou? - Disse outro homem saindo da sala ao lado. Este era alto como Sr. Caius e tinha olhos e cabelos pretos. Sua pele era branca como se nunca tivesse visto o sol.
-Sim. - respondeu o homem do meu lado direito.
-E.. ela já percebeu? - Perguntou o homem superior.
-Não tenho certeza. Depois que ela abriu os olhos e apreciou seus guardiões, ela começou a rir e depois se debateu dentro de seu espaço até sorrir e continuar andando. - respondeu o mesmo homem do meu lado direito.
-Bom, vamos descobrir. Antes que nos olhe com o mesmo espanto que olhou em seu quarto. - comentou o homem branco.
-Você já avisou Herick? - perguntou o homem superior ao homem branco.
-Ele já a espera. - respondeu.
-Isso não é de hoje. - Disse o homem loiro e mais novo com um sorriso malicioso no rosto.
Ronny. - Disse o homem a minha esquerda, que agora parecia tão novo quanto Ronny.
-Eu nunca entendi a pressa e a ansiedade dele por ela. - Disse Ronny com o mesmo sorriso incinuoso.
-Você não tem que entender. Apenas obedecer. Este é seu trabalho. - Disse o homem superior. - Agora vamos. Ela tem que voltar antes do amanhecer lembram?
Fomos para uma sala clara. Com vários quadros de pessoas elegantes nas paredes., e um jogo lindo de sofás cor bordo. Havia também um homem de pé, olhando atentamente um dos quadros.
"Aquele deve ser Herick"
Deduzi.
Quando ouviu nossos passos, virou-se imediatamente. E quando me viu, sorriu como se me esperasse a anos.
-Katheryne! Digo, Olá senhorita Rathbone. Desculpe minha falta de respeito. - disse a mim.
-Sem problemas. Pode me chamar de Katheryne.- respondi o mais simpática possível.
-Ok, Katheryne. Como foi seu passeio? Eles foram bonzinhos com você? - Perguntou tentando me deixar á vontade.
-Enquanto eu estava de olhos abertos sim, tirando que eu não pude me deslocar mais do que dois metros a minha volta. - sorri.
-Você entenderá que é para sua segurança. Mas venha. Sente-se comigo. Vamos conversar um pouco antes de falarmos sobre o porque você está aqui. - Me convidou para seus lindos sofás. - E vocês estão dispensados rapazes. Obrigado.
-Com sua licença. - Disse Sr. Caius e se retirou, e todos os outros foram atrás dele.
-Então Katheryne, me fale, como é a casa nova? - perguntou-me quando já estávamos sentados.
-É.. bonita, e confortável. Como você.. - ele não me deixou terminar.
-Bom, já que você quer ir direto ao ponto. Vamos começar...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Capitulo 4

Assim que saímos do parque fomos para a minha casa. É impressionante como os olhos de Lorenn brilham ao ver o meu irmão. Bem não vou negar que ele é lindo, ele é alto, magro, mas ele "tem corpo", pois joga no time da faculdade. Ele, diferente de mim, tem cabelos negros, iguais aos da minha mãe, os seus olhos são verdes, e como ele passa mais tempo no Sol,é mais moreno que eu... Perdida em meus pensamentos, Ele me puxa e antes que eu possa escapar, ele bagunça todo o meu cabelo ...
-Rachelzinha, estava te esperando, você sabe que é só nas férias que eu posso passar um bom tempo com você...
Isso era verdade, meu pai colocou na cabeça que o meu irmão tinha que assumir os negócios da família e por isso tinha que começar a trabalhar, desde que entrasse na faculdade..
-Ainh Brendon, não faz isso com o meu cabelo...
-Eu sei que lá no fundo, você gosta!
 E ele tinha razão, eu gostava era bom ter a atenção de alguém naquela casa, claro que ele nunca saberá disso.
-Hm, estava com saudades Breh..
-É eu sei , eu também estava...
Nós dois falamos com um tom tão triste que a única coisa que eu consegui fazer foi abraçá-lo, e eu juro que queria passar séculos só naquele abraço.
-Ei, Rachel?
 Por um momento, quis bater em Lorenn. Então eu sai dos braços do meu irmão...
 -Ah, Brendon, Lorenn vai ficar aqui em casa nas férias...
-Ah, oi Lorenn.
-Oi Brendon , alguém já disse que você fica lindo com essa roupa?
 Ele deu um sorriso enorme...
- Sim o Louis!
A gente riu muito, pois Louis é o novo cozinheiro gay da casa, e imaginar a cara do meu irmão ouvindo aquilo, não tem preço...
-Bem, temos que entrar, pra jantar com os nossos pais, pois Sr. Buttscrape e a Sra. Buttscrape tem uma conferência a fazer e lalalala ...
Ele falou com a vozinha igual a do mordomo, foi muito engraçado, mas eu sabia o quanto isso o magoava, assim como me magoava, era horrível pensar que os nossos pais eram ocupados demais, para os próprios filhos....
- Nossa, eu finalmente vou conhecer os seus pais? acho que nunca vi eles, eles são tão ocupados...
-É Lorenn, como são ...
-É melhor irmos...
  E então entramos para o inferno da minha casa...Como sempre meus pais estavam na mesa, o mordomo estava tocando piano, enquanto Brendon, eu e Lorenn sentávamos na mesa, meu pai só olhou com desprezo antes de falar com ironia:
-Brendon , você vai assumir os negócios da família, e você nós faz a cortesia de chegar atrasado ao jantar?
-Me desculpe, perdi o tempo falando com minha irmã...
-Ah, então foi esse ser ignóbil que causou todo esse problema?
-Não pai ...
-Pai? Você ainda é muito ténue, quando eu puder sentir orgulho de você ai sim você poderá me chamar assim, agora se retire da mesa, pra aprender a ter respeito com seres superiores a você.
Eu abaixei a cabeça e fiquei quieta, eu não acreditava que ele tinha falado que eu era um ser vergonhoso, por mais que eu não quisesse, aquilo me atingia de tal maneira que eu não podia explicar, o meu pai tinha um grande poder em sua voz, e ele mudou muito desde a ultima vez que eu me lembro, ele era calmo e divertido, mais isso foi antes, dele ter trabalho demais, agora ele simplesmente parece odiar a gente, a verdade é que ele se aguenta o dia inteiro, e desconta a raiva que ele sente na gente, bem eu senti tanta raiva, dor e pena do meu irmão ao mesmo tempo que eu quase esqueci de Lorenn, quando eu olhei pra ela, ela estava assustada, e pela sua cara não acreditava no que acabará de ver. Depois do Jantar, meu pai pegou as coisas dele e foi embora pra sua conferência, minha mãe foi atrás, mas antes de sair de casa, ela me deu um abraço e sussurrou em meus ouvidos...
-Desculpe Rachel, o seu pai anda meio estressado ultimamente, ele não quis realmente te chamar daquilo e peça desculpas para o seu irmão por mim...Ah, e seja bem vinda Lorenn.
Ela deu aqueles sorrisos enormes, e saiu correndo atrás do meu pai, a verdade era que eu sempre a achei um monstro e o meu pai, bem ele era o meu herói, aquele que sempre me salvaria, bem hoje em dia a minha realidade é bem diferente, Ryan foi o meu herói, meu pai se tornou um monstro, e a minha mãe se tornou, bem alguém que pede desculpas pelo meu pai, afinal ela vive atrás dele, então ela não faz mais nada além disso. Por mais que essa seja a realidade eu realmente não consigo acreditar, pra mim, eu ainda vou acordar, meu pai vai estar sendo o anjo que ele sempre foi , a minha mãe a chata e bem o Ryan não vai estar morto. Bem se eu não tiver no que acreditar, acho que não sobrevivo...
-RAAAAAAAAAAAAAAACHEEL??
eu levei um susto muito grande com o grito do meu irmão, mas logo que eu voltei a ter noção do que estava havendo no momento, eu e Lorenn fomos correndo para o quarto dele, foi ai então que eu vi passando na televisão, era uma reportagem sobre um tal de Henry d'Picies, eu comecei a rir...
-Você realmente tem medo de alguém como ele?
-Ele matou o sócio do papai, e matou mais pessoas como nós.
-Sem contar os outros, os que não são como nós...
Lorenn completou o que meu irmão estava dizendo...
-Não acho que ele pareça perigoso, pelo menos não para mim...
-Claro que ele não é perigoso pra você Rachel, você tem um irmão que vive pra te proteger.
E então eu disse sem pensar e completamente triste :
-Não tenho tanta certeza disso...
Foi só depois de ter dito que eu percebi como as minhas palavras o machucaram de tal forma, ele sabia de toda a historia que envolvia o Ryan, e ele sempre se culpou por não estar lá e de certa forma não era exatamente culpa dele, não da forma que aconteceram as coisas, não era pra ser assim, não sei nem por que estávamos lá...
-Desculpa Brendon, não foi isso que eu queria dizer, foi culpa minha não sua do que aconteceu e eu vou tomar mais cuidado pra que eu sempre esteja perto de você, pra que você sempre possa cuidar da minha segurança...
-Não foi culpa sua, eu já disse...
-Lorenn tem razão Rachel, a culpa toda é do papai, se ele não tivesse me obrigado a trabalhar, eu estaria lá com você.. e ...
-Isso é passado Brendon, não podemos culpar o papai, a verdade é que temos que pensar no que vamos fazer agora e esquecer toda a tragédia que ocorreu.
-Mesmo ele te esnobando, você sempre o defende, eu não entendo Rachel, como você pode amá-lo tanto, mesmo depois das coisas horríveis que ele te faz, você é simplesmente o ser mais admirável que eu já conheci, e eu tenho muita sorte de ter você como irmã, se eu te perdesse, eu não sei o que eu faria... E eu não me perdoou, por isso quase ter acontecido e eu estava muito ocupado trabalhando, pra poder te ajudar..
-Irmão, eu te amo e nada vai mudar isso, então pare de se condenar, com algo que você nem teve culpa!
.-É Brendon, a culpa não foi sua. Mas em Rachel, podemos ir dormir? Já estou cansada...
-Ah, Claro Lorenn...
A verdade, é que toda aquela historia e aquelas lembranças, só me deixaram mais cansada ainda, então demos um abraço de boa noite no meu irmão, subimos para o meu quarto, nos trocamos e antes de adormecer completamente, eu cruzei os dedos e fiz um desejo: Que tudo voltasse a ser como era antes.. Então, eu adormeci.

Capítulo 3

Já se passaram quatro dias. Agora só faltam vinte e seis. Que ótimo.
Meu plano de dormir por duas semanas não funcionou, mas disso eu já sabia.
A mesma coisa de todos os dias. Eu acordo, almoço, vou pro sótão, brinco com Kevin por toda a tarde, janto, tomo meu banho e durmo. Todo mundo quer ter uma vida como a minha. Ela é perfeita lembra? E agora minha mãe tá começando a querer que eu ajude a empregada no serviço da casa pra que eu faça algo de útil. Perguntei se ela iria me pagar também, já que ela paga a Dulce. Dulce é a empregada, ela é mexicana e tem trinta e dois anos. Ela é super simpática, mas não tem nenhum assunto que preste. Só serve pra me perguntar sobre garotos, se eu estou namorando, gostando de alguém. E esse realmente não é meu assunto preferido.
Mas daqui três dias meu tédio acaba. O John vai chegar e tudo vai ser animado de novo. E daqui a uma semana a Amelie chega. Ótimo! Só mais três dias. Acho que Kevin consegue me distrair esse tempo.
Quarta-feira.
Quinta-feira.
Sexta-feira.
Sábado! É hoje! Finalmente!
Oito horas da manhã eu estava sentada na calçada da casa do John, olhando como minha casa era chata até na aparência. Então eu ouvi o som inconfundível da Hilux da senhora Tyler. Quando o carro encostou ali, bem na minha frente, eu tive vontade de gritar! Mas John fez isso primeiro. Ele começou a gritar o meu nome de dentro do carro já, abriu a porta quase arrancando-a e veio correndo na minha direção. Dei o abraço mais apertado que eu pude enquanto ele me girava no ar. Como senti saudades daquele perfume! Eu não estava feliz só porque ele era o salvador das minhas férias. Eu estava realmente morrendo de saudade do meu melhor amigo.
-Keithy! Eu senti tanta saudade! Queria tanto você perto comigo! Quase morri de tédio sem você. Na próxima você vai junto nem que eu tenha que te sequestra!- ele disse com um tom que deixava sua ameaça bem convincente.
-Eu quase fugi pro Alaska! Se você não tivesse chegado logo não sei não em. - Disse sorrindo.
-Você não fugiria sem mim. Você me ama lembra?
-Você não viveria sem mim. Foi apenas piedade não te abandonar.
E nós dois rimos e nos abraçamos de novo. Eu reparei que ele estava com os ombros mais largos que a última vez que eu tinha o visto a dois meses atrás. O cabelo dele estava mais comprido também. Ele estava com aparência de mais velho agora. Acho que pela primeira vez eu percebi que ele era bonito. Se ele não fosse como um irmão pra mim talvez eu poderia me apaixonar por ele um dia. Ou não. Acho que não. É estranho pensar isso do John. Enfim.
Eu o ajudei a desfazer as malas. Ele trouxe um presente de natal atrasado pra mim. Ele é tão querido! Era uma pulseira prata com um pingente em formato de um floco de neve. Nós dois sempre gostamos do frio. A Amelie que era a praiera. Ela adorava sol, calor, mar, biquíni, garotos bronzeados jogando frescobol. Nem comento.
Ele me contou sobre as férias dele, disse que foram insuportáveis. Mas eu sabia que tinham sido bem melhores que as minhas.
-O que vamos fazer de interessante amanhã?- ele perguntou esperançoso.
-Hmm. Brincar com o Kevin de bruxo?- falei rindo.
-O que?- ele disse rindo mais ainda sem entender nada.
-O que você acha que eu fiz minhas férias inteiras? Eu tinha que aprimorar meus dons místicos, se não como eu pretenderia te proteger do mau? - disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
-Tudo bem, de tarde vamos apostar corrida no parque, depois ver quem assusta mais pombos, tomar um sorvete, ir ao cinema assistir um filme de terror pra poder rir com você como sempre acontece, depois vamos assistir o por-do-sol e tentar enxergar o raio verde que falam no Piratas do Caribe e depois vamos jantar na sua casa. Está bom assim?- parecia que ele estava pensando nisso a dias.
-Perfeito. Só falto a parte em que nós mexemos com as pessoas na rua lembra?- falei lembrando de todas as nossa bagunças dês dos cinco anos de idade, quando ele começou a atravessar a rua e me chamar pra jogar vídeo-game na casa dele.
Moram só ele e a mãe dele. Logo quando eles se mudaram pra essa casa, nossas mães ficaram amigas. Minha mãe estava gravida de oito meses da Kethlyn. A Alyson, digo, senhorita Tyler, ajudou muito minha mãe, principalmente quando minha irmã nasceu. Eu fiquei três dias na casa dela enquanto minha mãe estava no hospital. Meu pai estava com ela no hospital e minha tia estava na Europa em sua lua de mel. Então Tia Alyson se ofereceu para tomar conta de mim. Foi assim que conheci o garoto mais especial da minha vida. Não importe quantos namorados eu tiver na vida, nenhum vai ser mais especial que John Tyler.
O outro dia foi perfeito. Dez horas da manhã alguém me acordou dando um pulo em cima de mim na cama.
-Hei! Que é isso? - falei meio sonolenta ainda.
-Bom dia Bela Adormecida! Vamos para o parque? - disse a voz mais esperada dos últimos dois meses.
Eu olhei para o relógio e tentei me lembrar da conversa de ontem.
-São dez horas John, você não disse que iríamos de tarde?- disse cobrindo minha cabeça com o cobertor.
-Eu mudei de ideia. Vamos almoçar num fast food. Agora levanta e se arruma.- isso não era uma proposta.
-Então sai de cima de mim.- disse me rendendo.
-Opsdireção da porta rindo.
Eu joguei o travesseiro nele. Ele parou com a porta aberta e disse:
-Você não me disse bom dia ainda.-falou com ar zombador.
-BOM DIA JOHN, agora saaai!- eu berrei rindo também.
No caminho para o parque nós ajudamos uma senhora e um cego a atravessar a rua, mexemos com algumas pessoas e latimos para alguns cachorros.
Chegando lá apostamos corrida e ele me deixou ganhar, como sempre. Ele dizia que era injusto ganhar de mim, porque era óbvio que ele era melhor nisso. Convencido nada esse meu amigo.
Depois nós fomos ao fast food, e fomos ao cinema. Acho que nunca ri tanto nem com filme de comédia. Incrível como tudo fica divertido com John e Amelie, pena que ela não estava junto de nós.
No jantar, meus pais estavam quietos. Não pareciam os mesmos que sempre tinham o que conversar com John.
-Mãe, o que está acontecendo? Vocês estão tão estranhos hoje.- perguntei sem esperança de que iriam me contar realmente qual era o problema.
-Bom, acho que não tem problema em contar na frente do John já que ele vai saber logo..- disse meu pai. - Bom, Keithy... Nós vamos nos mudar.
-O que?-eu perguntei sem ter entendido direito. - Pra onde? Quando? Por quê? Não!!- eu disse incrédula.
-Nós vamos nos mudar depois de amanhã, pra perto de sua amiga Amelie. Porque vai ser melhor. A casa é melhor, fica mais perto do colégio de vocês, mais perto da empresa, é um bairro melhor. E porque eu decidi.- ele falou como se fosse indiferente.
-Eu não quero! Por que você decide tudo sem nos perguntar? Por que vai ser melhor? Você nos perguntou se vai ser melhor pra nós? Não! Não perguntou, e quer saber? Não vai! Vai ser melhor pra você! Só pra você! Eu não quero ir! Não vou!- eu gritei enquanto levantava da mesa.
-Você não disse que não aguentava mais ficar nessa casa?- ele disse pensando que ainda tinha razão.
-Eu queria viajar de férias! Não ir embora!! Quer saber? Você não se importa mesmo! Nunca se importou! Só pensa em você em mais nada! Vai cuidar da sua empresa querida! Só ela importa não é mesmo? Arraste sua família pra qualquer lugar! São propriedade sua! A opinião deles não importa!- eu me revoltei e sai pela porta em direção a rua.
Ouvi o John agradecendo o jantar e pedindo licença enquanto vinha atrás de mim.
-Eu não vou voltar John. Não tente me parar.- Eu disse firme.
-Tudo bem.- ele disse tranquilo.
Caminhamos lado a lado em silêncio por uns quinze minutos. Eu estava esperando que ele falasse alguma coisa, mas cheguei a conclusão que isso não ia acontecer. Desisti de segurar o choro.
Ele olhou pra mim e disse "vem cá Keithy" abrindo os braços. Me joguei em seus ombros e solucei por outro longo tempo. Quando já tinha me acalmado o suficiente pra conseguir falar novamente sem minha voz falhar eu disse:
-Eu não quero ir John. Não quero! Eu quero ficar aqui onde eu sempre estive.- ainda chorava em seus braços.
-Calma ai garotinha. Você vai continuar na cidade e no colégio. A Amelie não mora longe de nós? E isso impede nossa amizade? Não! Então! Você vai estar perto da casa dela, a única coisa que vai mudar é que eu vou ter que ir ao encontro de vocês ao invés dela vir. Se acalma por favor!- ele implorou.
Nessa hora já estávamos no parque de novo. Já eram passadas das nove horas da noite. Estava frio e aconteciam muitos assaltos na cidade nas últimas semanas, então, tanto o parque quanto a rua estavam vazias. Mas sem preocupação nenhuma, sentamos em um banco e continuamos abraçados como estávamos antes. Ele começou a brincar com o meu cabelo e fazer careta quando eu resmungava. Isso me fez rir. Minha intenção era ficar ali até que amanhecesse ou aparecesse a polícia atrás de mim. Mas algo me tirou do meu sossego.
"Katheryne"
-O que?- perguntei a John imaginando porque ele teria dito meu nome naquele sussurro.
-O que o que?-ele perguntou brincalhão.
-Por que você me chamou?
-Eu não te chamei!
-Você falou 'Katheryne'- eu imitei o sussurro.
-Você tá bem? Ouve vozes com que frequência? - ele sabia muito bem que eu morria de medo de fantasmas e vozes sem corpo. Estava fazendo isso só pra me assustar pra que eu quisesse ir embora.
-Para com isso! Não tem a mínima graça! Que brincadeira boba John, sabe que eu tenho medo!- falei reprovando-o.
-Ei! Eu to falando sério! Aqui não seria o lugar que iria querer te assustar, fala sério!- Ele foi bem convincente.
"Katheryne Rathbone"
-Eu ouvi Keithy.- Ele me olhou assustado.
-O que é isso John?- Eu cochichei choramingando de pânico já.
-Eu não sei. O que vamos fazer?
-Vamos embora. Pareça calmo.
-Tá. Vou tentar.
Levantamos e começamos a andar de volta pra casa, que ficava uns vinte minutos a pé dali. Enquanto andávamos em passos apressados as vozes voltaram. Dessa vez me chamaram várias vezes quase todas ao mesmo tempo.
"Katheryne, Katheryne, Katheryne."
-Continue andando John. - Eu disse chorando em desespero.
Nós olhamos pra trás, em volta, pra todos os lados e não tinha nada. Mas, as vozes continuavam e pareciam cada vez mais fortes. Agora já não eram sussurros.
Começaram a falar mais rápido, como se estivessem tentado alcançar uma velocidade na voz onde suas cordas vocais arrebentassem.
Foi ficando mais rápido, e mais rápido e mais rápido!
-CORRE JOHN! - Eu gritei correndo e puxando-o pela mão.
-PRA ONDE?- Ele perguntou apavorado e começou a correr atrás de mim.
Eu não sabia a resposta pra essa pergunta. Eu não sabia de onde vinham as vozes. Parecia que vinham de todos os lados. Mas não parecia que estava dentro da minha cabeça. Parecia realmente que tinham pessoas me chamando.
Quando começamos a correr a voz ficou mais alta e aguda.
Estavam gritando sem parar. Como se estivessem mais apavorados que eu.
" KATHERYNE! KATHERYNE! KATHERYNE! "
Eu perdi todas as minhas forças e gritei:
-AUSDAK!-
E as vozes pararam.
A rua estava vazia de novo, e eu estava caída no chão.
John olhou pra mim incrédulo.
Ele não acreditava no que tinha acabado de presenciar.
-Keithy, o que você fez? O que foi aquilo que você disse?- Ele não sabia se me ajudava ou se corria de mim.
-Eu.. eu... eu só falei chega!- E era realmente isso que eu tinha falado.
-A é? Em qual idioma?
-Do que você está falando John?- Eu não estava entendendo sobre o que ele estava falando.
-O que tá acontecendo aqui? O que foi isso..
-Katheryne!- Uma voz gritou de novo. Mas dessa vez eu sabia de onde vinha.
-Pai?- Eu não acreditava nisso! Nós estávamos a salvo! - A quanto tempo você está me chamando?
-Foi a primeira vez Keithy, eu acabei de vez vocês. - Meu pai estava ofegante. Ele estava correndo atrás de mim a um bom tempo.
-Eu quero ir pra casa Keithy. - John disse ainda em pânico. - Por favor Keithy, eu só quero ir pra casa, vamos?- ele estava quase chorando.
-O que houve? Vocês estão bem? - Perguntou meu pai preocupado.
-Só... só leve a gente embora pai.
-Ok. - Ele falou ainda preocupado. - O carro esta ali na esquina.
Meu pai nos levou pra casa sem fazer nenhuma pergunta. Eu e John combinamos de não comentar sobre isso com ninguém.
Quando eu entrei em casa meu soltou desesperado:
-O que foi aquilo Katheryne? Eu saio pra te procurar, e quando te encontro, você e John estavam correndo e der repente você cai! E aqueles rostos de quem tinha visto um fantasma? Eram onze horas da noite e vocês daquele jeito na rua! Como você quer que eu deixe você sair do país se não consegue nem andar no bairro direito?- ele estava desesperado, mas eu percebi que não era pelo fato de eu ter saído de casa daquele jeito. Ele estava com medo de alguma coisa pudesse ter acontecido.
-Nós pensamos que tinha alguém nos seguindo e eu tropecei. Se acalma pai. Era você. Mas nós não sabíamos, me.. me des..
-Nunca mais faça isso tá me ouvindo Katheryne Rathbone?- ele falou com meu rosto entre suas mãos, me olhando firmemente dentro dos olhos.
Ouvir meu nome de novo me deu arrepios, mas ele não percebeu.
-Sim pai. Boa noite. E, me desculpe.
Fui para o meu quarto ainda pensando no que tinha acontecido. É claro que não consegui dormir essa noite. E acho que meu pai também não. A casa duas horas ele abria a porta do meu quarto e espiava lá dentro pra ver se estava tudo bem. Pra tentar acalma-lo, fingi que estava dormindo todas as vezes. E acho que ele acreditou, mesmo não conseguindo dormir também.

No outro dia começamos a arrumar as coisas para a mudança. John estava lá, mas não comentamos nada sobre a noite passada. Lembrar daquilo ainda me dava pânico.
Nos mudamos no outro dia.
A casa era linda!!
Era um chalé. Eu sempre amei chalés.
Meu quarto era praticamente um terceiro andar. Era o topo do chalé. Não tinha porta, pois as escadas acabavam dentro do quarto já. Ele era enorme. Tinha uma portinha em uma parede que ia para o telhado, e outra do outro lado do quarto que ia para um depósito. Não era como o sótão da outra casa. O depósito fedia mofo. Mas, meu quarto já era isolado o suficiente. Ao invés de uma janela, tinha uma grande porta de vidro que dava para a minha sacada. E além disso tudo eu tinha um closet! Era perfeito! Simplesmente perfeito!
-Agora que vamos estar longe um do outro você vai ter que me chamar pra dormir na sua casa mais vezes!- Disse John com um risinho interesseiro.
-Dês de que você me chame para ir a sua.- eu revidei.
A primeira noite na casa nova foi tranquila, e no outro dia Amelie chegava de Paris.
Mas antes que isso acontecesse, algo me perturbou de novo.
"Katheryne"
-Ai de novo não! Me deixa dormir..- A voz me acordou quando eu estava quase pegando no sono. Estava tão cansada da noite anterior sem dormir que nem me lembrei o que aquela voz causava em mim.
"Katheryne"
Então eu me lembrei.
Sentei em um pulo na minha cama. Procurei o interruptor. Ele ficava ao lado da porta de vidro que ia pra sacada. Meu quarto estava super claro, pois ainda não tinham cortinas na porta e era lua cheia. Mas o escuro que confundia imaginação e realidade me assustava.
"Katheryne"
Levantei e fui em direção a sacada para acender a luz quando vejo alguém com um manto preto cobrindo todo o corpo e com o capuz do manto sobre a cabeça, parado na minha sacada. Virei imediatamente para a escada e vi outra pessoa vestida assim subindo as escadas calmamente como se estivesse em casa. Olhei para a sacada de novo e a tal pessoa estava abrindo a porta de vidro lentamente. Então lembrei da portinha que dava para o telhado, havia um deles entrando por ela, haviam outros dois entrando pela portinha do depósito e um saindo do meu closet. Eu já não sabia se realmente eram pessoas invadindo meu quarto. E todos estavam sussurrando meu nome.
"Katheryne, Katheryne, Katheryne"
Tentei gritar, mas não encontrei minha voz.
Eles foram chegando perto de mim e ainda chamavam meu nome.
Então eu apaguei.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Capítulo 2

Lá estava ela, sorrindo como sempre, brincando com os pássaros que estavam no Jardim, pra falar a verdade eu sempre achei Lorenn, uma garota linda, ela tinha belos olhos azuis, cabelos loiros e tinha um sorriso encantador, Já eu tinha olhos verdes, cabelo cacheado e castanho, completamente sem nada de mais, talvez por isso os namoros dela sempre duraram. Bem o único namoro meu que durou, bem o final foi meio trágico, e mesmo que não me permitam eu ainda penso nele...
-Rachel, está pensando nele de novo não está?
ah, sem mencionar que ela me conhecia muito bem, não tinha nada que eu pudesse esconder dela, afinal conhecia ela desde que nasci e ...
-Rachel??
-Ah, Desculpe Lorenn, é talvez eu estivesse..
- Talvez? Você não me engana, esse seu olhar, você só o faz quando pensa nele, é um olhar tão triste, queria poder fazer algo pra ver um sorriso de novo no seu rosto..
-Bem, você já faz, mais não tem como eu não me sentir um pouco culpada, eles tentaram me matar não ele, eu ainda não acredito que ele morreu pra me salvar, em pleno Kheistulh...
Eu já estava começando a chorar quando Lorenn me abraçou
- Não fique assim Rachel, não foi sua culpa, foi culpa deles...
-Deles quem?
Perguntei com desanimo já meio que sabendo a resposta, Ryan morreu pra me salvar, e bem.. eu não sabia quem tinha o matado. e a falta que ele me fazia era imensa, e por mais que eu tinha que esquece-lo , Lorenn jurou que ia me ajudar a descobrir.
- E exatamente o que vamos descobrir, só que Rachel é meio que impossível descobrir isso nas férias, afinal ninguém está em aula e todos estão livres por ai, sem contar que você ainda corre risco de vida, você sabe disso não sabe?
- É, eu sei.. Mas o que pretende fazer nessas férias ?
-Qual quer coisa com você já está bom, desisti das férias em oklannh pra ficar perto de você, afinal eu sei quando uma amiga precisa de mim, principalmente você.
-É, por isso que eu te amo Lorenn..
-Eu sei!
Então ela abriu um sorriso enorme e saiu saltitando em minha volta, e mesmo que seja inacreditável , ela consegue me animar, por mais que essa historia do Ryan, acabou comigo. A verdade é que eu acho que não suportaria viver sem ela, e que eu não sei o que seria as minhas férias sem Lorenn ..

Capítulo 1

Eu já tinha vencido metade das minhas férias. Não estava mais aguentando o tédio. Nunca viajo pra nenhum lugar porque meu pai não tem ferias, ele é dono de uma empresa de consórcios, e não gosta de deixar a empresa na mão do gerente. Diz que não confia em ninguém a não ser nele mesmo. Minha mãe nunca aceita a ideia de viajarmos sem ele. Minha irmã não faz nada sem minha mãe e morre de medo de sair da cidade. Nunca aceitou ir em nenhuma viagem com o colégio. Ela tem dez anos e se chama Kethlyn Rathbone.
Já meu irmão topa tudo. Ele é um anjo, ele me intende, me defende e me ama! E ele tem cinco anos e se chama Kevin Rathbone.
Ok.
Acho que ele não seria o melhor acompanhante de viagem sem meus pais. E eles nunca iriam deixar eu viajar sozinha com o caçulinha da casa.
Nessa cidade não tinha nada de bom além de meus melhores amigos, Amelie Morgan, que morava do outro lado da cidade, e o John Tyler, que morava do outro lado da rua. Mas agora nem eles serviam pra me tirar de minha depressão profunda de férias. Amelie estava em Paris visitando seus avós e John estava na casa do pai em uma cidade que dava umas sete horas de viagem daqui.
-Pai me manda pra Disney, pra Europa, pro Japão, pro Canadá, pra Índia, pro Alaska, pro Iraque! Qualquer lugar pai, por favor! Eu não aguento mais ficar em casa!!- eu disse pra ele sabendo qual seria a resposta.
-Você acha mesmo que eu vou deixar você sair do país com quatorze anos pra fugir do tédio?-ele respondeu o que eu já sabia que ele diria.
-Pai, eu tenho quinze- incrível como ele sempre errava.
-Não importa! Você é menor de idade e não se sustenta! Não tem o mínimo de experiência com o mundo e não conhece ninguém fora do país. Esqueça!
Ele sempre amou jogar na minha cara que ele pagava minhas dividas.
-Tá então vamos todos pra qualquer lugar.- eu insisti.
-Claro, porque é barato uma viagem pra cinco pessoas. E eu posso sair da empresa a hora que eu quiser pra atender minha filhinha que não pode achar algo pra fazer, a final, eu sou só o dono e chefe não é? Me escute Katheryne, se você quiser você pode passar uns dias na casa da sua tia. O que acha da ideia?- eu adoro quando ele uma esse tom de ironia comigo.
-Pai, a tia mora a dois quarteirões daqui.- disse desistindo de qualquer coisa que não fosse meu quarto ou o sótão nessas férias.
Ele me ignorou.
Claro.
Deu tchau pra minha mãe, pegou seu casaco, a chave do carro e foi em direção a porta. Eu olhei pra minha mãe com ar de súplica e ela soltou o "não adianta nem olha" que ela sempre diz quando meu pai me diz não e eu apelo a ela.
Subi as escadas e me tranquei no sótão, batendo forte a porta atrás de mim pra deixar bem claro o meu mal humor e indignação.
Quando eu tinha onze anos, aquele lugar virou meu refúgio.
Meu irmão guardava seus brinquedos lá, pois desde que começou a andar, eu já me escondia do mundo no meu mundo que era o local mais próximo do céu em casa, e ele aprendeu que era um lugar seguro de qualquer ser na face da terra, a não ser algumas baratas intrusas que apareciam e nós dávamos conta delas rapidinho. Quando minha mãe, meu pai ou a Kethlyn brigavam com ele, eu sabia onde procurá-lo. Bom, eu que ensinei o caminho pra ele.
Sentei em um canto perto da pequena janela que tinha. Eu passava horas sentada olhando para o céu. Grande parte das minhas férias foram assim, e isso já estava me cansando. Mas naquele dia, algo diferente brilhava no céu. Eu podia sentir a magia no ar. Eu estava começando a bolar um plano de fuga para o Alaska quando ouvi alguém batendo na porta. Podia jurar que era minha mãe que vinha para tentar me convencer a ser uma pessoa mais simpática dentro de casa. O que não me deixava nem um pouco animada. Então respondi rápida e grossa:
-O que você quer?
-Eu só quero brincar Keithy- respondeu Kevin com aquela voz doce e inofensiva de criança. Eu me derretia toda vez que o ouvia me chamar de Keithy. Todos me chamavam assim, mas na voz dele parecia algo mais. Eu sentia amor fluindo do nome que ele clamava toda vez que algum problema atormentava a vida daquele garotinho de cinco anos.
-Oi meu lindo, entra, eu achei que fosse a mamãe.- respondi na voz mais doce que pude pra compensar a rispidez de antes.
Ele entrou com um lindo sorriso no rosto, um sorriso que tirava qualquer ser humano que tivesse coração de qualquer sentimento ruim. Ele pegou seu chapéu, sua capa preta, sua vassoura, sua varinha e parou na minha frente com olhos de quem espera uma atitude.
-Quer que eu te ajude com a capa amor?- eu perguntei.
-Não. Eu estou esperando você vir brincar comigo. Sem você não tem graça brincar de bruxo. É você que conhece os feitiços lembra?- ele falou esperançoso.
Kethlyn. E eu, quis mais do que nunca ser uma bruxa. Eu queria ser uma bruxa e morar no Alaska. Não sei porque sempre vi o Alaska como um local de fuga. E eu já tinha falado para os meus pais que eu iria fazer minha faculdade lá. Como se eles fossem deixar.
Na hora do jantar, eu comentei sobre fazer faculdade no AlaskaAlaska nem em lugar nenhum. Como a positividade deles me contagia!
Depois do jantar, tomei o banho mais demorado da semana e fui dormir, pensando se conseguiria não acordar por duas semanas, então só faltariam mais duas pra começar minhas aulas, pra que eu fosse caloura no ensino médio. E cheguei a conclusão genial que não. Eu não conseguiria. Teria que viver essas duas semanas. Isso era desesperador! Realmente me dava pânico! Um mês sem nada pra fazer! Um mês sem ter pra onde ir! Um mês tendo que aguentar o senhor, a senhora e a senhorita Rathbone, se não fosse o Kevin, meu plano de fuga para o Alaska já teria sido colocado em prática a muito tempo. Mais um mês sem Amelie e John. Eu não sabia se aguentaria. E as minhas expectativas eram as piores.
Ah eu amo a minha vida!! Ela é perfeita!!
Aham! Vai nessa!