De repente eu comecei a ouvir zunidos longe, e sentir uma leve brisa batendo em meu rosto como se eu estivesse andando em uma noite com bastante névoa. Os zunidos agora eram vozes descontraídas.
Então abri meus olhos, e me surpreendi ao ver que realmente estava andando. A claridade batendo nas ruas de pedra, como as ruas de antigamente, ou de cidades bem pequenas, fez meus olhos arderem. Claridade de mais sempre me incomodou.
Olhei em volta e percebi que aqueles homens do meu quarto estavam me levando a algum lugar. Perguntei o que estava acontecendo ainda meio grog de sono. Ninguém respondeu.
Eles estavam com o capuz abaixado agora, me permitindo ver seus rostos. Tinham dois muito parecidos, embora acredito que não sejam irmãos, talvez primos. Eles tem a pele moreno claro, cabelos e olhos castanho escuros. Outro era loiro de olho castanho esverdeado. Acho que era o mais novo. E um outro era negro com um olho azul e o outro estava tampado. Ele parecia ser o líder do grupo, que pelas roupas e cortes de cabelo iguais, parecia até uma ceita. Todos tinham o cabelo bem rente a cabeça, um pouco mais curto os tornaria careca. E além do comprimento ser o mesmo, tinha uma mecha de cada lado da cabeça que havia sido totalmente raspada.
Todos caminhavam sérios em minha volta. Os dois parecidos estavam um de cada lado meu, o negro indo a frente, e o loiro atrás. Como se estivessem tentando me impedir caso eu quisesse correr.
Quando me lembrei, como se fosse um filme passando em frente de meus olhos, o que eu tinha vivido na noite passada, entrei em desespero e comecei a pensar como fugir daqueles homens. Olhei em volta, pra ver se conhecia o lugar onde estávamos ou se conhecia alguém.
Foi aí que percebi.
Era tudo um sonho.
Aqueles homens no meu quarto, aquelas faces sérias. Aquela rua de pedra.
Cheguei a essa conclusão observando as pessoas.
Era como se eu estivesse em um filme de bruxaria. Todos vestiam roupas escuras, as construções pareciam ter quinhentos anos, as crianças brincavam com varinha que soltavam faíscas, e suas mães com vestidos longos diziam que elas iam acabar deixando alguém com rabo de rato ou nariz de porco.
Quando percebi que era um sonho e que todo aquele pânico não passava do reflexo de dois meses brincando de bruxa com meu irmão e do susto de ontem a noite com John no parque.
Comecei a rir e tentei correr pra ver o que aconteceria. Me deparei com uma parede invisível, tentei tocar em um dos homens que me levavam a algum lugar mas eles estavam fora da parece que me protegia. Mesmo sendo um sonho me senti claustrofóbica e comecei a gritar e bater nas paredes. Meu medo era tão real que nem parecia que eu estava em um sonho. Eles pareciam nem estar me ouvindo, pois em uma virada de olho recebi. Enquanto eu parei para entrar em desespero, eles também pararam. Me lembrei de novo que era um sonho, então deixei que eles me levassem pro tal destino misterioso.
Assim como na noite em que quis passar duas semanas dormindo, eu podia sentir algo diferente no ar, podia sentir a magia.
Quando eu já estava começando a ficar cansada, mesmo nem sabendo que isso era possível em sonhos, paramos em frente um prédio cinza, com portões grandes escrito em mármore:
"CARTÓRIO DE REGISTRO PARA NOVOS BRUXOS"
Aquela cidadezinha bruxa parecia cada vez mais encantada, e ao mesmo tempo, cada vez mais real.
Enquanto entrávamos eu me perguntava onde estavam os outros dois homens que estavam com estes no meu quarto. Não tinha como saber. Todos que, pelo visto, trabalhavam no prédio se vestiam assim.
Andamos por um grande corredor com portas em todos os lados. E fomos até o elevador, no final do corredor. Descemos cinco andares do térreo e nos deparamos com um corredor escuro e silencioso. Lá não tinham muitas portas. Era frio, e nem lâmpadas para estarem apagadas não tinha. Eu senti arrepios. Mas disse pra mim mesma:
"É só um sonho! Nada de ruim pode te acontecer Katheryne! Nada de mal vai te acontecer!"
Entramos por uma porta, que eu só soube que existia por causa do rangido que fez quando abriu. Então pude ver que haviam algumas portas em volta de nós, e que estávamos em um, praticamente hall, redondo. Havia luz saindo por baixo das portas. Fomos até uma das portas, e o homem negro bateu duas vezes de leve.
-Olá Sr. Caius. Vejo que a trouxe em segurança. - Disse um homem que saiu da sala fechando rapidamente a porta atrás dele. Ele era mais da minha altura. Muito menor que o negro. Mas mostrava que era superior e o negro, digo, Sr Caius, respeitava-o e obedecia-o. Ele tinha o mesmo corte que os outros. Seus olhos pareciam cinzas com a pouca luz que tínhamos vinda das portas ao redor.
-Ela já acordou? - Disse outro homem saindo da sala ao lado. Este era alto como Sr. Caius e tinha olhos e cabelos pretos. Sua pele era branca como se nunca tivesse visto o sol.
-Sim. - respondeu o homem do meu lado direito.
-E.. ela já percebeu? - Perguntou o homem superior.
-Não tenho certeza. Depois que ela abriu os olhos e apreciou seus guardiões, ela começou a rir e depois se debateu dentro de seu espaço até sorrir e continuar andando. - respondeu o mesmo homem do meu lado direito.
-Bom, vamos descobrir. Antes que nos olhe com o mesmo espanto que olhou em seu quarto. - comentou o homem branco.
-Você já avisou Herick? - perguntou o homem superior ao homem branco.
-Ele já a espera. - respondeu.
-Isso não é de hoje. - Disse o homem loiro e mais novo com um sorriso malicioso no rosto.
Ronny. - Disse o homem a minha esquerda, que agora parecia tão novo quanto Ronny.
-Eu nunca entendi a pressa e a ansiedade dele por ela. - Disse Ronny com o mesmo sorriso incinuoso.
-Você não tem que entender. Apenas obedecer. Este é seu trabalho. - Disse o homem superior. - Agora vamos. Ela tem que voltar antes do amanhecer lembram?
Fomos para uma sala clara. Com vários quadros de pessoas elegantes nas paredes., e um jogo lindo de sofás cor bordo. Havia também um homem de pé, olhando atentamente um dos quadros.
"Aquele deve ser Herick"
Deduzi.
Quando ouviu nossos passos, virou-se imediatamente. E quando me viu, sorriu como se me esperasse a anos.
-Katheryne! Digo, Olá senhorita Rathbone. Desculpe minha falta de respeito. - disse a mim.
-Sem problemas. Pode me chamar de Katheryne.- respondi o mais simpática possível.
-Ok, Katheryne. Como foi seu passeio? Eles foram bonzinhos com você? - Perguntou tentando me deixar á vontade.
-Enquanto eu estava de olhos abertos sim, tirando que eu não pude me deslocar mais do que dois metros a minha volta. - sorri.
-Você entenderá que é para sua segurança. Mas venha. Sente-se comigo. Vamos conversar um pouco antes de falarmos sobre o porque você está aqui. - Me convidou para seus lindos sofás. - E vocês estão dispensados rapazes. Obrigado.
-Com sua licença. - Disse Sr. Caius e se retirou, e todos os outros foram atrás dele.
-Então Katheryne, me fale, como é a casa nova? - perguntou-me quando já estávamos sentados.
-É.. bonita, e confortável. Como você.. - ele não me deixou terminar.
-Bom, já que você quer ir direto ao ponto. Vamos começar...
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